domingo, 31 de julho de 2011

Combate ao Bullying

É corrente as notícias em os meios de comunicação impressos e televisivos de violências com características de bullying contra alunos. Lamentável! Há enorme esforços das escolas em combater tal prática violenta. Em razão disso, a secretaria de educação de Pernambuco saiu na frente e criou uma forma de chamar a atenção das pessoas ao Bullying. Em forma de cordel trouxe uma mensagem reprovativa ao Bullying. Vide abaixo.

BULLYING ESCOLAR:
A peleja da covardia com a senhora educação
Autores: Advs. ISAAC LUNA E INaCIO FEITOSA

I
Esse cordel tão modesto
Mas feito com consciência
Pretende sintetizar
Com clareza e eficiência
O significado de bullying
Como assédio ou violência
II
O bullying pode ocorrer
No ambiente de emprego
No parque ou no futebol
Causando desassossego
Espalhando a discórdia
A violência e o medo
III
Tem também o cyberbullying
Que ocorre no Orkut
Nos sites da internet
No twitter ou facebook
Qualquer um pode ser vítima
Seja pobre, rico ou Cult

IV
Até mesmo na escola
Lugar de cidadania
Do respeito às diferenças
Palco da democracia
Há o bullying escolar
Uma tremenda covardia
V
Isso mesmo meu amigo
Se atualize sem demora
Preste muita atenção
Ao que vou dizer agora
O Bullying também ocorre
No chão das nossas escolas!
VI
E é sobre esse último caso
Que agora vou falar
A terrível violência
Que vive a nos rodear
Principalmente a que ocorre
No ambiente escolar
VII
A discriminação é a base
Do assédio praticado
Com o intuito de humilhar
O sujeito atacado
Constranger ou meter medo
Pra deixá lo acuado
VIII
Também há o preconceito
Como chave desse mal
Seja ele de estética
Ou de classe social
De racismo deslavado
Ou de escolha sexual
IX
Apelidos humilhantes
Xingamentos raciais
Palavrões e ameaças
Atitudes imorais
Esses são alguns exemplos
Mais existe muito mais...
X
O importante é entender
Que bullying é covardia
É o ato do valentão
Praticado dia a dia
Contra aquele que é mais fraco
Ou que está em minoria
XI
A violência se apresenta
De maneira variada
Pode ser psicológica
Quase sempre com piadas
Ou então pode ser física
Na base da cassetada
XII
O resultado é a dor
E o sofrimento da criança
O afastamento social
E a perda da esperança
Pra dar basta a essa moléstia
É preciso haver mudança
XIII
Pensando nisso educadores
Preocupados com a questão
Reunidos em debate
Da Confraria da Educação
Propuseram uma lei
Pra regulamentar a questão
XIV
A Assembleia Legislativa
Do Estado de Pernambuco
Recebeu esse projeto
E depois de muito estudo
Aprovou a nova lei
Pra acabar com esse absurdo
XV
Com a Lei 13.995 de 2009
Qualquer um pode fazer
Uma denúncia contra o bullying
Na polícia ou na OAB
A um promotor de justiça
Também dito MP
XVI
Mas é bom não esquecer
Que é uma lei estadual
E é preciso unir forças
Pra torná la federal
Aprovando o seu texto
no congresso nacional
XVII
O bullying é uma vergonha
É pura contradição
É a derrota da escola
Da universidade e da nação
Diante da prepotência
Do covarde valentão

XVIII
Por isso é preciso haver
Grande mobilização
Pra não se fazer vista grossa
A essa situação
Enfraquecendo o valor
Da real educação

XIX
O professor é responsável
O coordenador também
Os pais e os alunos
Todo mundo e mais alguém
No combate contra o bullying
Não se isenta seu ninguém
XX
A OAB de Pernambuco
E a Confraria da Educação
De mãos dadas com a sociedade
Ao bullying dizem não
Em respeito à cidadania
E aos direitos do cidadão.

Texto: Advs. ISAAC LUNA E INaCIO FEITOSA
Cabe a nós, professores, darmos as mãos lutar para extirpar das dependências escolas a prática abminável do Bullying.
   

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Divisão do Pará

Dentro de mais alguns meses - precisamente no mês de novembro -, o segundo maior estado do federação (Pará) passará por um plebiscito em que será votado a divisão deste estado. Quanto a isso, a professora, Amarílis Tupiassú, da Universidade da Amazônia (Unama), escreveu um artigo em O Liberal em que tratava do retalhamento do estado. Seguando a professora em referência, a motivação da divisão tem motivo político-pessoal. Pessoas que alegaram não haver desenvolvimento do estado em razão de sua extensão territorial. Diante disso, a divisão se faz necessário.
É preciso entender que o desenvolvimento econômico, social, cultural, etc de um estado independe do pedaço que lhe couber de um todo (país). Os interessados na divisão são, com certeza, pessoas inescrupulosas, protecionistas das pessoas que aqui se sentem injustiçadas pelo desmazelo politico das autoridades estaduais, ou melhor, acham que com a divisão essas pessoas sairão do esquecimento. Resumindo: o problema não é territorial, mas, sim, de má administração que preza por  uma parcela miníma (rica) concentrada na capital paraense. O que se precisa fazer é descentralizar a administração e olhar para as partes cujo olhar dos  politicos não alcança não por que não dá, mas por que são pessoas que só tem importância eleitoral. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Minha terra

Só ama sua terra
quem traz no peito
a recordação
de seu povo,
a marca e a cor do sangue
de sua história,
e a certeza de luta
de geração que fica.....

Pescador

Esse homem forte
De tez parda
Destemido navegante
Flutuando
A bordo da saudade

Esse valente canoeiro
Que assovia soturno
Na imensidão da noite
Varando
O breu-escuro da solidão
Com sua poronga à proa do casco.

Esse poeta
Estendendo seus sonhos
No varal do tempo
Cantando a sinfonia do mar
Nos beirateuas, mupéuas
E igarapés...

Esse embarcadiço da subsistência
Colhendo os frutos do mar
Sem depredar a natureza.

Esse remeiro
Das repontas d'água
Que vai acenando
No último estirão do rio.

Sacudindo de seu chapéu
Um respingo de vida
Quando reconhece
Que suas forças
Estão adernando
Rés à preamar da morte...

Elizel da Paixão 

terça-feira, 31 de maio de 2011

Nós mudamos ontem, professora

O título do texto faz lembrar um outro texto de autoria de Fidêncio Bogo "Nóis mudemu". Resolvi não repetir o mesmo título. Coloquei-o em forma gramatical (opa! conjuguei o verbo consonante a pessoa) para evitar o preconceito linguístico e, com isso, não privilegiar uma ou outra variante da língua. Ainda mais em tempo de livro didático que ensina as pessoas a falarem "errado" e menosprezando o papel da escola enquanto agente social que ensina, educa e etc.. Vamos ao texto na íntegra.
O ônibus da Transbrasiliana deslizava pela Belém-Brasilia rumo a Porto Nacional. Era abril, mês das derradeiras chuvas. ´No céu, uma luazona enorme pra namorado nhenum botar defeito. Sob o luar generoso, o cerrado verdejant era um presépio, toda poesia e misticismo. Mas minha alma estava profundamente amargurada. O encontro daquela tarde, a visão daquele jovem marcado pelo sofrimento, precocemente envelhecido, a crua recordação de um episódio que parecia tão banal....Tentei dormir. Inútil. Meus olhos percorriam a paisagem enluarada, mas ela nada mais era para mim que o pano de fundo de um drama estúpido e  trágico.
As aula tinham  começado numa segunda-feira. Escola de periferia, classes heterogêneas, retardátarios. Entre eles, uma criança crescida, quase um rapaz.
- Por que voc~e faltou esses dias todos?
- É que nóis mudemu onti, fessora. Nóis veio da fazenda. (Risadinhas da turma)
- Não se diz "nóis mudemo", menino! A gente deve dizer: nós mudamos, tá?
-Tá, fessora!
No recreio, as chacotas dos colegas: Oi, nóis mudemo! Até amanhã, nóis mudemo! No dia seguinte, a mesma coisa: risadinhas, cochichos, gazações.
- Pai, vô mais pra escola!
- Oxente! Móde quê?
Ouvida a história, o pai coçou a cabeça e disse:
- Meu fio, num deixa a escola por uma bobagem dessa! Não liga pras gozações da meninada1 Logo eles esquece.
Não esqueceram.
Na quarta-feira, dei pela falta do menino. Ele não apareceu no resto da semana, nem na segunda-feira. Aí me dei conta de que eu nem sabbia o nome dele. procurei no diário de classe e soube que se chamava´Lúcio - Lúcio Rodrigues Barbosa. Achei o endereço. Longe, um dos últimos casebres do bairro. Fui lá, uma tarde. O rapazola tinha partido no dia anterior para a casa de um tio, no sul do Pará.
- É, professora, meu fio não aguentou as gozação da meninada. Eu tentei fazê ele continua, mas não teve jeito. Ele tava chatiado demais. Bosta de de vida! Eu devia di té ficado na fazenda côa famia. Na cidade nóis não tem veis. Nóis fala tudo errado.
Inexperiente, confusa, sem saber o que dizer, engoli em seco e me despedi.
O episódio ocorrera há dezessete anos e tinha caído em total esquecimento, ao menos de minha parte.
Uma tarde, num povoado à beira da Belém-Brasilia, eu ia pegar o ônibus, quando alguém me chamou. Olhei e vi, acenando para mim, um rapaz pobremente vestido, magro, com aparência doentia.
- O que é moço?
- A senhora não lembra demim, fessora?
Olhei para ele, dei tratos à bola. Reconstituí num momento meus longos anos de sarcedócio, digo, de magistério. Tudo escuro.
- Não me lembro não, moço. Você me conhece? De onde? Foi meu aluno? Como se chama?
Para tantas perguntas, uma resposta lacônica:
- Eu sou "Nóis mudemo, lembra?
Comecei a tremer.
- Sim, moço. Agora lembro, como era mesmo seu nome?
- Lúcio - Lúcio Rodrigues Barbosa.
- O que aconteceu com você?
- O que aconteceu? Ah! fessora! É mais fácil dizê o que não aconteceu. Comi o pão que o diabo amassô. E êta diabo bem de padaria! Fui garimpeiro, fui bóia fria, um "gato" me arrecadou e levou num caminhão  pruma fazenda no meio da mata. Lá trabaiei como escravo, passei fome, fui baleado quando consegui fugi. Peguei tudo quanto é doeça. Até na cadeia já fui pará. Nóis ignorante às veis fais coisa sem querê fazê. a escola fais uma farta danada. Eu não devia di té saído daquele jeito, fessora, mas não aguentei as gozação da turma. Eu vi logo que nunca ia consegui fala direito. Ainda hoje não sei.
 - Meus Deus
Aquela revelação me virou pelo avesso. Foi demais para mim. Descontrolada comecei a soluçar convulsivamente. Como eu podia ter sido tão bburra e má? E abracei o rapaz, o que restava do rapaz, que me olhava atarantado.
O ônibus buzinou com insistência. O rapaz afastou-me de si suavemente.
- Chora não, fessora! A senhora não tem curpa
Como? Eu não tenho culpa? Deus do céu!
Entrei no ônibus apinhado. Cem olhos eram cem flechas vingadoras apontadas para mim. O ônibus partiu. Pensei na minha sala de aula. Eu era uma assassina a caminho da guilhotina.
Hoje tenho raiva da gramática. Eu mudo, te mudas, ele muda, nós mudamos, mudamos, mudaamos, mudaaamooos... Super usada, mal usada, abusada, ela é uma guilhotina dentro da escola. A gramática faz gato e sapato da língua materna - a língua que a criança aprendeu com seus pais e irmãos e colegas.
- e se torna o terror dos alunos. Em vez de estimular e fazer crescer, comunicando, ela reprime e oprime, cobrando centenas de regrinhas estúpidas para aquela idade.
E os lúcios da vida, os milhares de lúcios da periferia e do interior, barrados nas salas de aula: "Não é assim ue se diz, minino!" Como se o professor quisesse dizer: "Você está errado! Os seus pais estão errados! Seus irmãos e amigos e vizinhos estão errados! A certa sou eu! Imite-me! Copie-me! Fala como eu! Você, não seja você! Renegue suas raízes! Diminua-se! Desfifure-se! Fique no seu lugar! Seja uma sombra!"
E siga desarmado para o matadouro.
Fidêncio Bogo